segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Geleiras

Tal como grandes geleiras, são os corações de muitos. As águas que outrora traziam vida, são imobilizadas em mórbidas estruturas, cristalinas e solitárias.

Podemos, sem nos apercebermos, nos trancafiarmos em um iglu; tentando nos proteger da fúria do inverno externo, para sobreviver. Nossos medos, orgulhos, iras e decepções são capazes de se transformarem em sólidas paredes que nos protegem da frieza exterior.

Porém, a vida necessita de luz e calor. Em certo momento, o iglu terá que se derreter. Nossos muitos cuidados deverão ser abandonados, e nossa vida exposta aos riscos. As planícies necessitarão derreter-se em charcos e lagos, e as geleiras virarem rios caudalosos e violentos.

A liquidez, por mais que incerta e perigosa- e frequentemente prejudicial-, é inerente à existência. Geleiras são solitárias e monótonas, mesmo se magníficas. Apenas a fluidez das águas produz vida.

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